domingo, 10 de março de 2013

CASA NOVA (BA) - COMUNIDADES DE AREIA GRANDE CLAMAM POR JUSTIÇA NO MUNICÍPIO

Após dois atentados que ocorreram no início desse ano, na área de fundo de pasto de Areia Grande, em Casa Nova (BA), os moradores da localidade reclamam da impunidade e lutam por justiça na região.

A área, marcada há mais de 30 anos pelas investidas de grileiros, voltou a ser alvo de ameaças no último dia 17 de janeiro, quando três homens não identificados acompanhados de um oficial de justiça, dois policiais e um chaveiro entraram na área, sem apresentar mandado judicial. De acordo com o agricultor José Oliveira dos Santos, que estava no local no momento da invasão, os policiais estavam armados.

Um dia após a entrada dos estranhos em Areia Grande, no dia 18 de janeiro, a camponesa Maria de Lourdes encontrou perfurações por arma de fogo na sua cisterna de guardar água da chuva. “Quando eu voltei na sexta de manhã a minha cisterna tava toda perfurada de bala, tinha 20 tiros, meu filho quando viu ficou assombrado”, conta a agricultora, que agora vive amedrontada. “O pessoal não quer deixar a gente só, porque se fizeram com a cisterna podem fazer com a gente”.

Cisterna de Dona Maria de Lourdes perfurada com 20 tiros

Um fato curioso é que alguns moradores de Areia Grande foram avisados previamente dos acontecimentos. O apicultor Afonso dos Santos Campos recebeu na sua casa a visita do oficial de justiça de Casa Nova que acompanhou a entrada dos estranhos no dia 17. “Tire suas caixas de lá e venda que os homens vão entrar”, essa foi a advertência que Campos disse ter ouvido. Ainda de acordo com o que o oficial contou a Afonso dos Santos, empresários da região teriam comprado a área para cultivar caju.

Para denunciar os atos de violência, moradores de Areia Grande foram à delegacia de Casa Nova. Apesar dos depoimentos, até nove de fevereiro a área ainda não havia sido periciada. Nesse dia, novas ameaças deixaram os moradores de Areia Grande em alerta. Sob a tutela da impunidade, criminosos atearam fogo em cercas, cancelas e num espaço usado como cozinha durante as reuniões das comunidades que compõem a área de fundo de pasto.

Em Areia Grande, área de terras devolutas do Estado baiano, a impunidade não é de hoje. O assassinato do camponês José de Campos Braga, o Zé de Antero, ocorrido em 2009 ainda não foi esclarecido. O agricultor morreu poucos meses após uma milícia destruir casas e matar criações no local, depois que os empresários Alberto Martins Pires e Carlos Nisan receberam do juiz de Casa Nova, Eduardo Padilha, direito sobre a área. Apontando irregularidades no processo, em 2011 o Tribunal de Justiça da Bahia anulou a sentença.

O apelo comum de quem mora em Areia Grande é para que a justiça seja feita. O presidente da Associação dos Fundos de Pasto de Casa Nova, Zacarias Rocha, insiste para que o Estado regularize a situação dos Fundos de Pasto de toda a Bahia, e que a questão jurídica seja corrigida. “Os crimes têm que serem investigados, esclarecidos e combatidos, que tipo de justiça é essa que tanto pregam e a gente não conhece?”, questiona o presidente.

Mesmo com as ameaças, a população de Areia de Grande vai continuar lutando e persistindo para que um dia a justiça chegue até o território. Quanto mais ameaças sofrem, mais os camponeses e camponesas se unem para defender seu pedaço de chão das investidas de grileiros.


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