Maria é a nova cara do Brasil: diarista com carro zero e quatro cartões de crédito para torrar pela internet, onde ela compara preços e, com um clique, adquire TV, geladeira e novos móveis para a casa. Trocá-los, aliás, é um costume que ela mantém de seis em seis meses, tudo à vista, “para aproveitar os descontos”.
— Eu acabo enjoando dos móveis que tenho.
Mas a conquista do ano foi o tão sonhado carro 0km. Depois de namorar um Fiat Idea por meses na concessionária, ela aproveitou o desconto do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e dividiu o valor em várias parcelas e finalmente levou o automóvel para casa. O modelo não sai por menos de R$ 42 mil.Com renda média de R$ 3.200 por mês, Maria faz parte da classe social que já representa mais da metade dos brasileiros, a classe C, considerada a nova classe média.
Essa fatia da população vive uma explosão do consumo trazida pelo aumento da renda. Em números, as compras da classe C deverão injetar R$ 1 trilhão na economia até o fim deste ano, de acordo com o estudo Vozes da Classe Média, divulgado em setembro pela SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos) da Presidência da República.
Poupar não está nos planos de Maria, que diz “detonar” o dinheiro recebido. A justificativa é rápida.— Eu ralo muito para poder consumir. Tem dias em que me pergunto se vou ter forças para trabalhar tanto.
Maria foi para São Paulo aos 17 anos para buscar uma vida melhor, já que, em Alagoas, era uma trabalhadora rural. Na capital paulista, ela foi doméstica, mas preferiu trocar o emprego fixo pelo de diarista. Por dia, Maria chega a fazer faxina em quatro casas diferentes.
O sonho, agora, é uma casa própria com mais espaço para ela, o marido e o casal de filhos.— Não penso no futuro, acabo gastando tudo. Mas quero morar em um lugar melhor.
R7
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