O local escolhido para o memorial tem grande significado histórico para os venezuelanos, tanto por ser onde Chávez comandou a rebelião de 4 de fevereiro de 1992, como pela importância do 23 de Janeiro – um bairro conhecido por resistir a governos repressores e por reunir forte apoio ao presidente. Nesta sexta-feira, na academia, haverá uma parada militar em homenagem ao líder venezuelano.
O presidente interino, Nicolás Maduro, a quem Chávez designou como seu herdeiro político e candidato governista três meses antes de morrer, vai liderar o cortejo ao lado do líder boliviano, Evo Morales. Apesar de ter dito que o corpo seria embalsamado, como Lenin e Mao Tse-tung, Maduro admitiu que será "bastante difícil", porque os procedimentos deveriam ter começado antes.
A procissão até o 23 promete gerar imagens de devoção ao presidente como as do cortejo fúnebre de 6 de março, quando ele foi levado à Academia Militar. Desde aquele dia, as filas para ver o corpo do presidente não cessaram. Integrantes da equipe de voluntários, que trabalharam todos esses dias para providenciar água e comida a todos, contam que todos se impressionaram com o fervor da homenagem.
Yuri Buzcategui, de 49 anos, veio do Estado de Anzoátegui para ajudar. "Trabalho para a PDVSA [estatal petrolífera] e me ofereci. Estou aqui para apoiar a revolução, para que ela continue. Sabemos que a maioria pensa assim, mas de verdade fiquei emocionado com as demonstrações de amor ao presidente", confessa. Ao seu redor, dezenas de voluntários organizavam garrafas de água, suco, laranjas e kits com sanduíche e uma barra de cereal.
Na mesma tenda, Juan Carlos Peraza, de 40 anos, conta que vive em Nova York, onde atua na Frente Francisco Miranda, e que veio não só para colaborar, como também para compartilhar as histórias de agradecimento dos nova-iorquinos. Chávez colocou em prática um programa de distribuição gratuita de petróleo para aquecimento nos últimos oito anos em locais como o Bronx. "Vivo há 20 anos lá, imigrei por razões econômicas. E agora estou aqui para relatar a todos o amor que o povo desses locais beneficiados tem pelo presidente. Isso os Estados Unidos nunca reconhecerão: que Chávez salvou milhões do frio e da morte", diz o venezuelano.
O fornecimento é garantido total ou parcialmente pela refinaria Citgo, da estatal PDVSA. A doação é intermediada pela CEC (Citizens Energy Corporation), organização fundada e dirigida pelo ex-deputado Joe Patrick Kennedy, filho do ex-senador Robert e sobrinho do ex-presidente John F. Kennedy. A CEC distribuiu nos EUA mais de 700 bilhões de litros de petróleo da Citgo. "Chávez sempre se preocupou com os pobres da Venezuela e de outros países, mesmo os de uma nação que sempre foi tão hostil com ele", afirma Peraza.
O presidente Hugo Chávez morreu aos 58 anos, após longo tratamento contra um câncer. Ele havia sido reeleito em outubro do ano passado, mas não chegou a assumir o novo mandato na data prevista (10 de janeiro), porque estava em Cuba, onde foi submetido, em dezembro, à quarta e última cirurgia. O governo venezuelano já anunciou que irá investigar a doença do presidente, devido à suspeita de envenenamento.

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