Serão ouvidos os que foram denunciados pelo Ministério Público do Estado (MPE) do Acre, tanto do grupo de aliciadores quanto de clientes. Também serão ouvidas testemunhas arroladas pela acusação e defesa. Entre os clientes estão pessoas influentes do Acre, como empresários, fazendeiros, comerciantes, políticos, integrantes do governo estadual, incluindo pais e filhos.
A denúncia do MPE, formalizada em dezembro, é assinada pelos promotores de Justiça Mariano Jeorge de Sousa Melo, Danilo Lovisaro do Nascimento e Marcela Cristina Ozório, além de membros do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado, que requisitaram a investigação inicial e acompanharam todas as fases do trabalho policial.
A rede de prostituição, além de contar com sete aliciadores identificados e denunciados, tinha como integrantes, na condição de garotas de programas, pelo menos 25 adolescentes menores de 18 anos e 104 mulheres maiores de idade.Foram identificados pela Operação Delivery 104 clientes, sendo que 22 pessoas foram denunciadas pelo MPE à Justiça. O MPE não descarta que o número possa ser ainda maior do que efetivamente foi apurado durante as investigações policiais.
Também estão envolvidas no processo pessoas que possuem "foro de prerrogativa de função", contra quem o MPE fez o devido encaminhamento para a apuração dos fatos noticiados junto aos órgãos com atribuição para a investigação. Os nomes não foram revelados oficialmente e a ação penal contra todos os envolvidos tramita em segredo de justiça.
Os usuários da rede de prostituição denunciados pelo MPE são aqueles que o inquérito policial reuniu provas suficientes, pois contratavam garotas para a realização de programas sexuais, sendo estas menores de 18 anos e maiores de 14 anos. De acordo com o MPE, os usuários, tendo conhecimento ou pelo menos razões para saber que as menores estavam sendo submetidas, induzidas ou atraídas à prostituição ou à exploração sexual, mesmo assim, mantiveram com elas "conjunção carnal ou praticaram outros atos libidinosos, fato este que constitui crime".
Dada a amplitude da rede de prostituição e exploração sexual, com envolvimento de adolescentes, o MPE afirma que as consequências das condutas dos denunciados agenciadores e usuários com as menores "foram extremamente nefastas para a sociedade, levando diversas jovens a ingressar na prostituição, corrompendo-as moralmente e expondo a saúde das vítimas a graves riscos".
Por causa da Operação Delivery, o ruralista Assuero Doca Veronez foi preso no ano passado e atualmente é foragido da Justiça. Ele era o vice-presidente da Confederação Nacional de Agricultura, mas ainda é o presidente da Federação de Agricultura do Acre. Outro fazendeiro, Adálio Cordeiro, 80, que recebeu um das maiores comendas do governo do Estado em janeiro passado, também foi preso, depois ficou foragido, mas na semana passada foi recapturado pela Polícia Federal em Ji-Paraná (RO).
Terra

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