Durante o percurso pela Avenida Luiz Viana Filho (Paralela), o movimento ocupou uma extensão de cinco quilômetros. Eles acamparam no estacionamento do prédio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), situado ao lado da sede da Superintendência do Incra, na capital baiana, sem prazo de saída.
De acordo com Márcio Matos, um dos coordenadores estaduais do MST, eles permanecerão no local até que sejam discutidas as demandas do grupo. Entre elas, o combate à impunidade dos crimes ocorridos no campo, como o assassinato de uma das lideranças do movimento, Fábio Silva, morto no dia 2 de abril, no município de Iguaí.
Pedido de plano emergencial
Os trabalhadores também exigem ações concretas do Incra para apressar a reforma agrária, um plano emergencial do governo para assistir às populações das regiões afetadas pela seca, e a discussão relativa ao massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, no qual foram mortos 19 trabalhadores sem-terra. Matos disse que há diálogo com o governo, mas criticou a falta de iniciativas concretas.
— Não só de diálogo vive o homem — complementa o coordenador do MST.
De acordo com informações da assessoria do Incra, as audiências de negociação podem começar imediatamente após os líderes do movimento cumprirem pré-requisitos determinados em lei, como o encaminhamento da proposta de discussão e o agendamento da pauta. Além disto, é fundamental que os trabalhadores não invadam a sede do órgão, devendo se instalar na parte externa.
O superintendente regional do Incra, Luiz Gugé Fernandes, disse sobre as reivindicações que já existe uma proposta de ampliação do Programa Água Para Todos na região do semiárido, que contemplaria os assentamentos do MST. Entretanto, ele reconhece que esta ampliação não é suficiente para atender toda a área.

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