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| Educador norte-americano Salman Khan |
Tudo começou despretensiosamente em 2004, quando ele passou a ajudar, de Boston, uma prima com dificuldades em matemática que morava em New Orleans. A solução era utilizar a internet para enviar pequenos tutoriais de aritmética gravados com um software simples de captura de som e imagem. Enquanto escrevia com o mouse na tela do computador, Khan explicava os conceitos.
Dois anos depois Khan teve a ideia de publicar os vídeos em um canal do YouTube batizado de Khan Academy. O sucesso veio em pouco tempo: as aulas atraíram milhares de visitantes - e também de elogios. Em 2009, o norte-americano pediu demissão do emprego de analista de fundos de investimento para se dedicar exclusivamente à sua academia virtual.
Os assuntos se diversificaram e hoje, além de matemática, há aulas de ciências, economia e humanidades. A coleção de Khan tem mais de 3,8 mil vídeos, que já foram assistidos pelo menos 224 milhões de vezes só no canal oficial do YouTube. Apesar do potencial econômico, a Khan Academy é uma organização sem fins lucrativos que vive basicamente de doações de gente como Bill Gates. "Khan é pioneiro de um movimento global de uso da tecnologia para que mais e mais pessoas aprendam, não importa onde estejam. É o início de uma revolução", costuma dizer Gates, ele próprio um fã das videoaulas.
A segunda maior audiência da Khan Academy vem do Brasil. O educador visita o País pela primeira vez nesta semana para conhecer como anda a educação por aqui e divulgar seu livro Um Mundo, Uma Escola. Ele deve se reunir na quarta-feira com a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, em Brasília.
O que o sr. pretende conversar com a presidente Dilma Rousseff?
Geralmente falo com os governos sobre como ter um sistema de educação mais acessível e equânime. Isso passa pela forma de se certificar conhecimentos. Podemos criar um jeito de as pessoas provarem que sabem algo independentemente do modo pelo qual aprenderam, seja na universidade, na internet, no livro-texto ou no trabalho? Para mim, bastaria ir a um lugar, mostrar a carteira de identidade, fazer uma prova e sair com as credenciais.
O sr. acha que os diplomas atuais vão perder valor se agora é possível aprender a partir de diferentes fontes e não apenas na escola e na universidade?
Os diplomas já perderam valor, e não por causa da educação a distância. Se você for a diferentes países, verá que nem todos vão para as melhores universidades. A maioria estuda na sua cidade ou Estado. Mesmo que você frequente uma excelente faculdade, dê duro e aprenda bastante, ainda será difícil para que em outros lugares entendam o que você sabe ou não. O diploma diz muito pouco, é apenas um indicativo de suas competências. Como dar às pessoas algo que deixe evidente o que elas sabem? Precisamos de uma solução para isso.
Como a Khan Academy deve ser utilizada nas escolas?
O melhor é caminhar para o modelo de sala de aula invertida em que os alunos aprendam a seu próprio ritmo com a Khan Academy e o professor veja na base de dados quem está com dificuldade e retrabalhar os conceitos em pequenos grupos, pedindo àqueles que já entenderam que ajudem os colegas. Nesse processo, o aluno aprende de forma personalizada e interage com outras pessoas. E assim que compreende o assunto pode fazer um teste. É uma questão de mudar a estrutura e o tempo da sala de aula. As classes devem deixar de se basear nas aulas expositivas, já que agora elas estão disponíveis na internet. Na escola, o tempo deve ser gasto com seres humanos se reunindo e se ajudando.
Estadão

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