quinta-feira, 30 de maio de 2013

VICE DOS EUA: BRASIL NÃO É MAIS UM PAÍS EMERGENTE

Em visita ao Brasil, o número 2 da Casa Branca, Joe Biden, disse que brasileiros já se desenvolveram e fala em 'nova era' nas relações bilaterais

"O Brasil não é mais um país emergente. O Brasil emergiu, o mundo todo já notou", disse o vice-presidente dos EUA, em pronunciamento para cerca de 500 pessoas no Píer Mauá (zona portuária do Rio). Foi seu primeiro evento público no país.

Biden estimulou o Brasil nesta quarta-feira a abrir mais a sua economia para acompanhar a tendência mundial de liberação comercial, em um discurso feito no início de uma visita com o objetivo de ampliar os negócios bilaterais entre os dois países, as maiores economias das Américas.

Boa parte do futuro relacionamento com os Estados Unidos dependerá de o Brasil - cuja economia ainda permanece relativamente protegida por elevadas tarifas e outras barreiras - poder facilitar o comércio, afirmou Biden num pronunciamento para autoridades locais e líderes empresariais no Pier Mauá, na zona portuária do Rio de Janeiro.

Citando os esforços dos EUA para aprofundar as relações comerciais e de investimentos com a Europa, a China e países em rápida expansão na América Latina e costa do Pacífico, Biden pressionou o Brasil para seguir esse caminho.

"Cabe ao Brasil decidir se quer ir por esse caminho e aproveitar oportunidades", afirmou.

A visita de três dias, parte de uma longa jornada de Biden pela América do Sul e Caribe, ocorre num momento em que o governo norte-americano acelera os preparativos para uma visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA este ano.

A economia brasileira - sétima maior do mundo - está lentamente se recuperando de uma pausa de dois anos no crescimento, depois de uma década de expansão. O governo brasileiro busca maior influência na relação com os Estados Unidos e outras grandes economias.

Após divergências envolvendo comércio, política para o Oriente Médio e outros assuntos durante os governos de seus antecessores, Dilma e o presidente dos EUA, Barack Obama, forjaram nos últimos anos um estreitamento das relações diplomáticas, o que resulta também em uma relação comercial maior.

Dilma, no entanto, continua sendo crítica à política monetária norte-americana, que ela considera prejudicial à economia brasileira, por fortalecer o real e tornar os produtos nacionais mais caros no exterior.

Mas os dois países têm progredido em áreas comerciais como agricultura, energia, aviação e tecnologia espacial.

Biden elogiou o crescimento econômico e os programas sociais que ao longo da última década tiraram 40 milhões de brasileiros da pobreza. Esse sucesso, segundo ele, é um modelo para os países em desenvolvimento ainda lutando com a "falsa escolha" entre as políticas amigáveis aos negócios e práticas sociais progressistas.

"Vocês demonstraram que não há necessidade de escolher entre uma economia baseada no mercado e políticas sociais inteligentes", disse Biden.

Biden pediu que o Brasil, que historicamente se abstém de criticar regimes autoritários, de Cuba ao Oriente Médio, se torne mais presente na defesa da democracia. Embora tenha elogiado a bem-sucedida ascensão do Brasil, ele disse que "isso é acompanhado por uma responsabilidade mundial de falar".


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