segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Servidores dos postos de saúde protestam em frente da Prefeitura

Com cartazes, apitaço e palavras de ordem, dezenas de servidores do Programa Saúde da Família (PSF) de Salvador, com vínculos precários de trabalho há cinco anos, iniciaram paralisação de 48 horas nesta segunda-feira (25/2).

Pela manhã se uniram numa mobilização em frente à prefeitura para reivindicar que o prefeito ACM Neto atenda às reivindicações da categoria. À tarde uma comissão de servidores e dirigentes do Sindsaúde-Ba se dirigiu à sede da SMS para audiência com o secretário José Antônio Rodrigues, para tentar resolver a situação.

Enquanto isso, outro grupo de servidores permanece mobilizado na Câmara Municipal, aguardando os resultados da negociação. Os trabalhadores pedem o apoio e a intermediação dos vereadores para que o Executivo atenda às reivindicações da categoria.

A vereadora e diretora do Sindsaúde, Aladilce Souza (PCdoB), denunciou da tribuna a "situação de penúria" dos profissionais do PSF, fazendo um apelo aos colegas para que encampem a luta da categoria.

Nova assembleia será realizada na terça-feira (26), na Associação dos Funcionários Públicos, na Carlos Gomes, às 14h, para decidir os rumos do movimento.

Os trabalhadores pedem o pagamento do salário do mês de dezembro de 2012, reajuste compatível com as perdas salariais dos últimos cinco anos e a garantia dos direitos trabalhistas como INSS, FGTS, PIS/PASEP e 1/3 de férias.

Durante a mobilização, representantes do Sindsaúde-Ba e do Sindimed foram recebidos por militares da Casa Civil que tentaram intermediar a situação, sugerindo que a manifestação fosse suspensa e uma comissão de servidores se dirigisse até a sede da SMS para serem recebidos pelo secretário José Antônio Rodrigues. A proposta não foi aceita pelos sindicalistas e o protesto seguiu em frente à sede da prefeitura.

A diretora do Sindisaúde-Ba, Tereza Deiró, lembrou que os servidores estão pagando para trabalhar e a prefeitura, por sua vez, vem agindo com total desrespeito aos trabalhadores que há mais de 10 anos prestaram serviços à população, demitindo-os, inclusive, por telefone.

A presidente do sindicato, Inalba Fontenelle, ressaltou que Salvador é a 3ª maior capital do Brasil e vive em estado de calamidade pública, tendo o PSF apresentado, nos últimos anos, uma baixa cobertura de atendimento à população, em torno de 13%. Ela lembrou, ainda, que as equipes do PSF estão desfalcadas e convivem com péssimas condições de trabalho.

Na Câmara de Vereadores
A vereadora Aladilce Souza (PCdoB), diretora do Sindsaúde-Ba, chamou atenção para a importância do PSF, “programa que está sendo sustentado por esses servidores que têm sido desrespeitados em seus direitos. Sou testemunha da penúria que eles estão passando”. Segundo ela, ela está agendada audiência pública para 14 de março, com a presença do secretário José Antônio Rodrigues, para discutir a situação do PSF, que cobre apenas 13% da população de Salvador.

Fabíola Mansur (PSB) frisou que os trabalhadores terceirizados estão “pagando para trabalhar” e o líder da bancada da oposição, Gilmar Santiago (PT), propôs a formação de uma comissão suprapartidária para intermediar a negociação com a prefeitura. Hilton Coelho (PSOL) alertou para a tendência da cobertura do programa piorar ainda mais com a demissão dos servidores, sugerindo a revisão do TAC que rege os contratos: “O PSF tinha que ser ampliado com os concursados e não reduzido”.

O líder da bancada do governo, Joceval Rodrigues (PPS), e o do DEM, Léo Prates, se colocaram à disposição para intermediar a negociação com o Executivo, propondo a formação de uma comissão de vereadores e sindicalistas. Se solidarizaram com os trabalhadores, também, os vereadores Odiosvaldo Vigas (PDT), Pedrinho Pepê (PMDB), Moisés Rocha, Arnando Lessa, Henrique Carballal e J. Carlos Filho, todos do PT.

O presidente da Comissão de Saúde, Planejamento Familiar, Seguridade e Previdência Social, o vereador J. Carlos Filho (PT) cancelou a primeira reunião do colegiado em 2013, que seria realizada na quarta-feira (27), às 8h30, no Edifício Bahia Center, anexo da Câmara Municipal de Salvador,

O vereador havia convocado representantes da Associação de Hospitais de Saúde do Estado da Bahia (AHSEB), Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado da Bahia (Sindhosba), Secretaria Municipal de Saúde e Conselho Municipal de Saúde. Na pauta da reunião está à interrupção do atendimento ao SUS pelas clínicas e hospitais privados de Salvador e a falta de medicamentos nos postos de saúde e Unidades de Saúde Familiar.

Segundo o vereador J. Carlos Filho, “a incerteza da Secretaria Municipal de Saúde em relação à data do pagamento e a manutenção dos serviços preocupam os membros da Comissão”.

A nova data ainda não foi anunciada.


TB

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